CONDUÇÃO
A condução é proporcional à qualidade do par. A condução depende de raciocínio rápido, e velocidade de reação (muito além do “dançar bem”). Para o homem, não basta conduzir certo: tem que conduzir certo na hora certa. A prenda não é adivinha, mas tem que ser perspicaz. A condução é dada pela mão direita do peão. Pela mão direita e muito mais: pernas, intenção e direção. Enfim, toda uma dinâmica. Até um olhar pode determinar uma completa mudança no padrão de movimento. Os braços... Salvo exceções, braços firmes, mas nunca rígidos. As mãos, sempre fechadas, devem se tocar como num aperto de mão. A mão direita do homem fixa a maior parte do tempo, situa-se entre o meio das costas e a ponta inferior da omoplata esquerda. Não enlaçar a prenda nem apoiar a mão na lombar ou no quadril. A prenda, sem deixar dedinhos para cima, deve apoiar a mão entre o ombro direito e a porção superior da omoplata direita do homem. Nunca abraçá-lo ou segurá-lo no pescoço. Deve-se começar com os pés frente a frente. O ideal é começar com os pés intercalados. Isto facilitará a condução, já que a própria fluência da dança acomodará os passos do mesmo modo. A condução dada pela mão direita faz-se pela mão inteira. Pode-se usar ponta dos dedos ou a região carpo ou pressionar a mão inteira. Tudo faz parte da dinâmica de comunicação do par. Os parceiros devem se olhar, mostrando cumplicidade. Cumplicidade sim, mas não é preciso tornarem-se vesgos. A segurança é responsabilidade do peão, que deve observar o salão, olhando por cima do ombro da prenda. Ela fará o mesmo se a estatura permitir. Alternadamente, podem se olhar ou até conversar e trocar instruções de condução.

GIRO OU GIRO-SAUDAÇÃO
Após o rapaz convidar a moça para dançar, oferecendo-lhe sua mão direita, ele a conduz até o lugar onde iniciarão a dança. Chama-se giro-saudação ou, simplesmente giro, o ato pelo qual a moça, tomada pela mão direita de seu companheiro, realiza uma volta inteira em torno do próprio corpo ( girando sobre a ponta do pé esquerdo ou executando passos ), sob o braço esquerdo. No preciso momento em que a moça completa a volta, o par solta-se das mãos e efetua um respeitoso cumprimento: a mulher realiza uma pequena flexão de joelhos e o homem inclina levemente a cabeça.

FANDANGO
"Dança Andaluza de procedência árabe. Dança de galanteio cantada com acompanhamento de violão e castanholas. Compasso ternário allegro". "No Rio Grande do Sul, dá-se o nome de fandango ao conjunto de danças realizadas em um baile gaúcho". "... o Fandango Gaúcho é raiz, é semente, é flor, é a sanga da água mais pura, é a cura para os males do amor ..." Os ritmos executados no baile devem ser originais que preservem a autenticidade do folclore gaúcho de forte influência histórica européia e latino-americana. Quanto ao fandango antigo no Rio Grande do Sul as mais populares são: anu, balaio, queromana, tatu e tirana. No fandango atual são executados preferencialmente os seguintes ritmos do folclore vigente: marchas, vaneiras, vanerões, xotes, milongas, rancheiras, polcas, valsas, chamamés e bugios. Os ritmos de fandango são musicalmente ricos e variados permitindo evoluções belas e harmoniosas na dança, cada ritmo dança-se de um jeito e cada ritmo tem a sua característica própria de ser dançado. Sendo assim recomenda-se que o conjunto musical de fandango execute todos os ritmos de forma variada e criteriosa sem distorcer um determinado ritmo acelerando-o para um efeito mais ágil e nem repetindo excessivamente o mesmo ritmo musical caindo na mesmice, ou ainda descaracterizando-o quanto a sua forma original. Esses ritmos apresentam as seguintes características históricas: Vaneira, Vaneirão, Bugio, Valsa, Xote, Milonga, Chamamé, Rancheira e Polonési.

VANEIRA
Oriunda da primitiva Habanera cubana, ritmo dançado pelos negros de Cuba e Haiti, surgiu a partir de 1825. Foi exportada para a Espanha e França, vindo para o Brasil em 1866, onde se popularizou por volta de 1880. Popularizada no século XIX, foi muito utilizada por espanhóis e franceses. Chegou ao Rio Grande do Sul sob o nome de Havaneira, posterior a outras danças de par como a valsa, o xote, a polca e mazurca. Sendo hoje denominada no meio pastoril Rio-Grandense como Vaneira e adquiriu variações coreográficas ao contato com os gaiteiros de botão, em nossos bailes gauchescos. Coreografia dos passos: compasso binário em ambos os lados (2 e 2).

VANEIRÃO
É uma variante da vaneira. Sua música é executada num ritmo rápido que é o que o distingue da vaneira e da vaneirinha. Hoje nossos músicos referem-se e executam a Vanerinha, a Vaneira marcada, o Vaneirão ou simplesmente a Vaneira, ou seja, a denominação varia de acordo com a forma de execução: mais lenta mais marcada ou mais miudinha. Não há diferença entre o passo de Vaneira e Vaneirão, mais musicalmente sim, pois o andamento do Vaneirão é mais rápido se tornando mais alegre. Coreografia dos passos: compasso binário em ambos os lados de modo mais acelerado (2 e 2).

BUGIO
"Era a dança da ralé nos bailes Bragados da região rural missioneira, com movimentações dos corpos sugerindo macacos bugios durante o ato sexual. É muito popular não só nas missões como no planalto médio e campos de cima da serra”. O Bugio é essencialmente brasileiro. Nasceu no Rio Grande do Sul, nos braços do gaiteiro Wenceslau da Silva Gomes, conhecido como Neneca Gomes, nas serras do Mato Grande, distrito de São Francisco de Assis em 1928. Neneca com uma gaita de botão começou a imitar o som emitido por um macaco, conhecido como bugio. Nasceu o ronco do bugio. O tema desenvolveu-se mais em função da dança, tendo por inspiração o caminhar do Bugio. Foi considerada como dança de pessoas de baixo nível. Hoje, seccionadas os aspectos sensuais, é muito executada nos bailes tradicionalistas. O Bugio foi incorporado ao repertório musical do Rio Grande do Sul e teve inúmeras gravações, sendo que em 1955 os Irmãos Bertussi levaram o primeiro Bugio ao disco, gravando "O casamento da Doralícia”. Quanto aos passos do Bugio, sua movimentação é idêntica a da vaneira. A diferença está na passagem do segundo para o terceiro movimento do passo, onde os dançarinos dão um pulinho e tiram os dois pés do chão.
Coreografia dos passos: compasso binário em ambos os lados e bem marcado (2 e 2).

VALSA
Oriunda da Áustria, muito popular entre os povos germânicos desde o século XVI, em velhos minuetos. Nomes como Josef Laner, Johan Starus Filho e Johan Starus, criaram este gênero musical que iria se tornar mais tarde conhecido em todo o mundo. "Do campo a Valsa foi para as cidades, notabilizando-se, inicialmente em Viena. Expandiu-se por toda a Europa, porém, na França a Valsa assumiu feições próprias (lenta, lânguida, sentimental). No Brasil a Valsa foi cultivadíssima no século passado, desde o nível popular até o erudito”. Porém nos demais países da Europa, como por exemplo, na França, a Valsa encontrou grandes dificuldades e resistência nos salões Aristocráticos, acostumados apenas a dançar minuetos, achavam essa dança enlaçada e com muitos giros desavergonhados, chegando até ser proibido tocar este ritmo nos salões e quem o executasse seria severamente punido sem exceções. Existem variações da valsa tradicional da qual se incorporou a valsa campeira dançada no RS, a valsa tradicional ou clássica, é dançada em passo 1 e 1, no ato de juntar as pernas. A valsa campeira é dançada em compasso ternário, conforme citado abaixo. Coreografia dos Passos: compasso ternário em ambos os lados, com diferenciação do 1º passo para o 2º e o 3º passo (3 e 3).

XOTE
Trazido pelos imigrantes alemães (1824), "segundo Baptista Siqueira, a Schottisch entrou no Brasil no início da década de 1850, juntamente com a Polca e a Valsa difundindo-se pelo país. É uma dança de procedência francesa com nome escocês. O compasso do Schottisch é binário ou quaternário e o andamento é rápido”. Chegou ao Brasil por volta de 1825, entre as danças de vivência popular atual é o mais rico em figuras coreográficas, guardou de modo geral os passos da dança origem, mas enriquece-se de uma série de variantes a determinadas regiões Rio-Grandenses. Coreografia dos passos: compasso quaternário com marcação no 4º passo (4 e 4) ou binário em ambos os lados e com marcação após o 2º passo, ( 2 e 2 ).

MILONGA
"Dança urbana de Buenos Aires, da mesma geração do Tango, mas com melodia e ritmo brejeiro. O sentido do termo provém da língua da República dos Camarões, (Melunga = palavra, o plural é Milonga)”. Descende da Habanera Cubana e do Lundu Africano, no vocabulário africano milonga quer dizer “palavras” têm passagem pela Europa de onde adquiriu fortes traços da influência negro-hispânica. Sua pátria, contudo é o pampa Rio-Grandense, Uruguaio e Argentino. Indícios apontam para o surgimento na Argentina por volta de 1865/1870, onde junto com o Tango de Gardel, tomaram conotações de danças populares argentinas. Na Argentina o local onde as pessoas dançam tango, o salão de bailes, é chamado de milonga, neste mesmo local são dançados ambos os ritmos. A milonga Argentina herda do tango a estrutura de seus passos e figuras, contudo a diferença se dá na milonga ser mais rápida e compassada em quanto o tango é mais dançado através de estímulos. O Rio Grande do Sul adotou esta dança e deu a ela conotações Rio-Grandenses, aonde a proximidade com a vaneira originou a milonga, dançada nos fandangos gaúchos. A milonga gaúcha é uma dança calma que por ter muitas influências do tango, possui giros lentos entre outros cortantes, lembrando os ganchos e sacadas do tango, todos estes enfeites são criados pela habilidade dos bailarinos. Em 1968 o conjunto Farroupilha gravou pela primeira vez uma milonga no RS, “A Milonga do Bem Querer”. Coreografia dos passos: para o peão, uso do compasso binário para a esquerda e o compasso único para a direita e para a prenda, uso do compasso binário para a direita e o compasso único para a esquerda (2 e 1).

CHAMAMÉ
Segundo o folclorista argentino Joaquim Lopez Flores em seu livro "Danças Tradicionais Argentinas” relata que este ritmo é semelhante a dança Espanhola chamada "La Zamarra". Esta dança com o passar dos tempos foi chamada de "Chamarra” e na zona da Província de Corrientes sofreu o diminutivo e passou a ser chamada de "Chimarrita”. O chamamé como música foi muito difundido pelas gravadoras de Buenos Aires, a partir dos anos 40, principalmente para o público de Corrientes e vizinhanças do Paraguai. Paixão Cortes e Barbosa Lessa em seu livro "Danças e Andanças da Tradição Gaúcha” nos diz que esta dança Correntina teria nascido da velha Chamarrita do RS, introduzida pelos açorianos. Na Argentina o chamamé é dançado em compasso ternário, ou seja o chamamé valsado. Na língua indígena guarani, chamamé quer dizer improvisação, no Rio Grande do Sul foi ganhando forma moldando-se através dos tempos. Coreografia dos passos: Compasso ternário (3 e 3) ou também compasso único para ambos os lados (1 e 1).

RANCHEIRA
Derivada da Mazurca, é uma dança Polaca que chegou à França no século XIX, lá ganhou algumas características e assim chegou ao Brasil, Argentina e Uruguai. No Rio Grande do Sul, em certas regiões a Rancheira é denominada “Terol”, mas não há diferença musical entre as duas, assim Rancheiras e Terol são derivações de um mesmo gênero. No RS a Rancheira é dançada de diferentes maneiras, na região da fronteira é dançada puladinho ou valsada, bem marcada com batida de todo o pé no chão. Já na região da Serra é dançada salpicada, diferenciando-se do estilo fronteiriço apenas na forma de executar, pois se dança bem rápido e puladinho com acentuada marcação de todo o pé no tempo forte da música. E ainda, no litoral norte e região central o mesmo ritmo é denominado Terol ou Terolzinho, dançado com movimento lateral das pernas alinhando ao corpo e o casal não se enlaça, apenas seguram-se pelos cotovelos. Rancheira é conhecida em todo o RS e largamente executada em nossos bailes tradicionalistas e em bailes e festividades nativistas, sendo considerada dança integrante das danças folclóricas gaúchas. Coreografia dos Passos: compasso ternário em ambos os lados, com marcação forte no 1º passo (3 e 3).

MARCHA POLONAISE, EM PORTUGUÊS: "POLONÉSI"
A Polonési ou Polonaise é dança originária da Polônia que foi mencionada após o ano de 1675”. Essa dança de conjunto teria se originado de uma marcha triunfal de antigos guerreiros poloneses.
Tem o objetivo de aquecer os bailarinos para o baile. Nas áreas de colonização italiana e alemã, no Rio Grande do Sul, a Polonési continua sendo a dança solene de abertura de bailes ou ponto culminante de festividades. É dançada em ritmo de marchinha. A polonési era dançada apenas por homens, porém com o passar do tempo foi permitido pares mistos. Esta dança é uma espécie de confraternização entre as pessoas. Normalmente é dançada em grandes grupos e pouco executada em bailes de nossa região. Coreografia dos Passos: Compasso único com um passo para cada lado (1 e 1).