INDUMENTÁRIA GAÚCHA

As pilchas gaúchas possuem fontes originadas da mescla de europeu, índio e gaúcho. Isso se deve ao fato de terem misturas étnicas que formaram o povo gaúcho. A fonte européia veio quando o colonizador chegou à América, com sua "indumentária", costumes e palavras. Muitas vezes seus trajes acomodaram-se com o clima e as atividades daqui. A fonte indígena entrou em contraste com o gaúcho até pela adaptação que teriam de ter aqui. Como principal herança cita-se o pala e o chiripá.(chiripá palavra indígena que quer dizer para o frio).

Já o gaúcho criou peças que não copiou nem de europeus, nem de índios. As esporas chilenas- mesmo com este nome são gaúchas, as botas garrão de potro, guaiaca, pala-poncho, chapéu de pança-de-burro, tirador e outras peças. Tais peças usadas, hoje, além do sentido histórico que possuem, retratam o passado de um povo rico culturalmente e de garra, coragem e pátria!

EVOLUÇÃO DA INDUMENTARIA GAÚCHA

(1620 - 1730) - TRAJE INDÍGENA

Quando o homem que veio fazer a América - e se vestia à européia - aqui chegou encontrou, nos campos, índios missioneiros e índios cavaleiros. Índios Missioneiros: (Tapes, Gês-guaranizados) - constituíam a matéria-prima trabalhada pelos padres jesuítas dos Sete Povos. Os Missioneiros se vestiam, conforme severa moral jesuítica. Passaram a usar os calções europeus e em seguida a camisa, introduzida nas missões pelo Padre Antônio Sepp. Usavam, ainda, uma peça de indumentária não-européia, proximamente indígena - "el poncho" - isto é, o pala bichará. Essa peça de indumentária não existia no Rio Grande do Sul antes da chegada do branco, pois os nossos índios pré-missioneiros não teciam e nem fiavam.

Os Padres descobriram a atração que as vestes religiosas e as fardas militares exerciam sobre os índios e distribuíram essas roupas entre eles. Assim, figurar o Alferes Real Sepé Tiarayu, desnudo ou vestindo chiripá, é erro grosseiro. Ele usaria a farda correspondente ao seu alto grau militar, ou vestiria-se civilmente,com bragas, camisa e poncho.

A mulher missioneira, usava o "tipoy", que era um longo vestido formado por dois panos costurados entre si, deixando sem costurar, apenas duas aberturas para os braços e uma para o pescoço. Na cintura, usavam uma espécie de cordão, chamado "chumbé". O "tipoy" era feito de algodão esbranquiçado, mas em seguida se tornava avermelhado com o pó das Missões. Em ocasiões festivas, a índia missioneira gostava de usar um alvo "tipoy" de linho sobre o de uso diário. Apenas nas vestes religiosas, sobretudo nas procissões, as índias usavam mantos de cores dramáticas, como o roxo e o negro.

Índios cavaleiros: (Mbaias: Charruas, Minuanos, Yarós, etc): eram assim chamados porque prontamente se adonaram do cavalo trazido pelo branco, desenvolvendo uma surpreendente técnica de amestramento e equitação. Usavam duas peças de indumentáriaabsolutamente originais:o "chiripá"e o "cayapi".

O chiripá era uma espécie de saia, constituída porum retângulo de pano enrolado na cintura, até os joelhos. O cayapi dos minuanos era um couro de boi, inteiro e bem sovado (que se usava às costas) com o pêlo para dentro e carnal para fora, pintado de listras verticais e horizontais, em cinza e ocre. À noite, servia de cama, estirado no chão. Os charruas o chamavam de "quillapi" e "toropi".

A mulher, entre os índios cavaleiros, usava apenas o chiripá. No rosto, pintura ritual de passagem,assinalando a entrada na puberdade. No pescoço, colares de contas ou dentesde feras. De peças da indumentária ibérica, de peças da indumentária indígena e tantas outras, o gaúcho foi constituindo sua própria indumentária.

(1730 – 1820) - PEÃO
Pés descalços ou botas de garrão abertas na frente e amarradas abaixo dos joelhos com tiras de couro ou de lã. Esporas, ceroulas por dentro das botas ou as pernas nuas. Chiripá-saia e cinturão de couro sobre a faixa de tecido. Boleadeiras e pistola presas na cintura. Faca às costas, junto aos rins. Camisa com mangas amplas. Colete e poncho bichará. Na cabeça, os cabelos longos são amarrados por tira de couro ou lenço à marinheira. Usa o chapéu de palha ou de feltro.

MULHER RURAL
Usa a saia rodada de tecido de lã leve e camisa longa de algodão, ou ainda o vestido de indiana. Pés descalços. Flores ou fitas nos cabelos longos e trançados, ou ainda, um lenço na cabeça amarrado abaixo do queixo.

ESTANCIEIRO
Meias e ceroulas de crivos ou de rendas. Botas fortes ou de garrão e esporas de prata. Calções desabotoados abaixo dos joelhos, gibão de veludo ou lã com botões de moedas de prata. Colete de seda ou de algodão acabada por rendas. Lenço pequeno no colarinho. À cintura, leva o cinturão sobre a faixa, bem como a pistola. Na mão, o chicote tipo arreador e na cabeça, o lenço à marinheira e o chapéu de feltro de copa alta e barbicacho de seda. No ombro, o pala de seda ou de lã leve de vicunha.

ESTANCIEIRA
Sapatos e meias de seda, anáguas e corpete. Vestido de seda ou de algodão, com corte abaixo do busto. Leque e lenço na mão e jóias em excesso. Agasalha-se com capote ou xale. Na cabeça, os cabelos longos são presos com fitas e flores.

(1820 – 1865) - PEÃO
Botas fortes ou de garrão, ceroulas de franjas, chiripá-fralda, faixa na cintura e cinturão com bolsos. Camisa branca, colete de algodão ou seda, gibão e lenço no pescoço ou na cabeça. Poncho " pátria ", forrado de vermelho e faca. Chapéu, tirador e laço. Esporas de ferro ou prata.

MULHER RURAL
Blusa de mangas com acabamento em rendas, saia longa e rodada complementada com casaquinho cortado à cintura de tecido leve. Travessas ou flores no cabelo preso. Usa, mais tarde, a sombrinha. A saia tem em sua barra um babado franzido ou de pregas.

ESTANCIEIRO OU CHARQUEADOR
Botas russilhonas levantadas e calças por dentro das botas, sendo esta com recorte triangular na braguilha. Faixa na cintura e cinturão com enfeites de moedas. Camisa de algodão ou seda branca com rendas. Gravata de seda tipo tope, colete de seda ou algodão transpassado e gibão de veludo ou lã com botões em prata. Na cabeça, leva o chapéu de copa alta. Nas costas, junto com os rins, a faca, e na mão o chicote tipo arreador. Junto às botas as esporas de prata.

MULHER
Vestido longo de seda ou veludo, com corte na cintura. Decote mais ou menos amplo com o colo à mostra. Mangas bufantes até o cotovelo e justas até o pulso. Broche no pescoço e brincos. Cabelos presos com travessas ou flores. Leque na mão. Quando ao ar livre, usa chapéu com laços de fitas e penas de avestruz. Mantilha sobre o coque quando vai à igreja ou sobre os ombros quando ao ar livre.

(1865 até os dias de hoje) - HOMEM DA CAMPANHA
Bombachas e botas fortes. Colete e paletó. Camisa e lenço brancos e cinturão sobre a faixa. Chapéu de feltro e pala. Esporas de prata e chicote.

A GAÚCHA
Do início do século usa a saia e blusa ou vestido. A saia muitas vezes é estampada em tecido leve. Seu corte determina, às vezes, um babado ou pregas no final da mesma e esta é menos rodada do que na época anterior. A blusa tem mangas bufantes até o cotovelo ou são retas até o punho. A frente da blusa é enfeitada de babadinhos ou rendas ou como acabamento leva um fichu. A silhueta é marcada por um cinto bem apertado. Seus acessórios são a sombrinha ou o leque, os brincos e a corrente de ouro ou o broche. Calça botinhas ou sapatos fechados. Além da saia ou blusa, a nova gaúcha não deixa de usar a saia e o casaquinho que muito a caracterizam na época anterior.

O PEÃO
Bombachas de favos ou pregas, alpargatas ou botas fortes e chapéu ou boina, camisa listrada ou xadrez, jaqueta de brim ou lã, guaiaca e poncho. O lenço no pescoço, a faixa e o colete aparecem vez por outra. Usa a faca e a chaira. Não raras vezes, vê-se o peão calçando chinelos-de-dedo, galocha ou o chinelo de couro. Suas esporas, quando as têm, são de ferro.

A PRENDA (desde 1950)
Vestido de prenda com saia rodada e babados, ambos de tecidos de algodão, com estampado miúdo, de broderie ou de tecido de cor lisa. O corpo justo é fechado no pescoço, leva enfeites em rendas ou do mesmo tecido do vestido. As mangas ¾ bufantes ou não, vão até o cotovelo e babados dão o acabamento. Quando não leva babados no corpo, a prenda sobrepõe um fichu em renda crochê preso pelo broche. Meias brancas e bombachinhas e sapatos pretos. Xale de renda em lã crochê é o agasalho. Os cabelos presos ou soltos levam uma flor, e nas orelhas, os brincos balançantes.


Fonte: Gaúcho - Vestuário Tradicionalista e Costumes
Véra Stedile Zattera - 1996 - 2a edição